Solo degradado ameaça produção e clima
Transição produtiva mira recuperação do solo
Foto: Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi
A degradação do solo já afeta pelo menos um terço das áreas no mundo e cerca de 28% do território brasileiro, segundo análise apresentada no artigo “Solo como ativo estratégico: o caminho é a transição dos sistemas produtivos”, de Hugo Ricardo, Gerente de Agricultura e Florestas do Pacto Global da ONU – Rede Brasil. O autor cita definições da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura para destacar que a perda de produtividade atinge terras agrícolas, pastagens e florestas, sendo causada por fatores como erosão, queimadas e uso inadequado dos recursos naturais.
No Brasil, o diagnóstico é reforçado por informações do Ministério do Meio Ambiente, que apontam degradação significativa associada à deterioração das propriedades físicas e químicas do solo e à conversão de vegetação nativa. Segundo Hugo Ricardo, “a degradação da terra” representa não apenas uma perda produtiva, mas também um risco para diferentes dimensões ambientais e econômicas.
O autor afirma que os impactos se estendem à segurança alimentar e à resiliência climática. “A redução do estoque de matéria orgânica do solo contribui para as emissões de Gases do Efeito Estufa, enquanto a erosão e a compactação comprometem a infiltração de água”, descreve. Ele acrescenta que, no campo social, a instabilidade produtiva pode levar à insegurança alimentar e ao êxodo rural, afetando especialmente agricultores familiares e comunidades tradicionais.
Para enfrentar o problema, Hugo Ricardo defende a adoção de sistemas produtivos regenerativos. “A mitigação da degradação dos solos passa, imperativamente, pela escalabilidade dos sistemas produtivos regenerativos”, afirma. Ele sustenta que o Brasil deve ampliar práticas que preservem e restaurem o solo, conciliando produtividade e sustentabilidade.
O autor também aponta que iniciativas públicas e privadas têm avançado nesse sentido, com destaque para ações ligadas ao Pacto Global da ONU – Rede Brasil. “Estamos direcionando esforços importantes em relação ao tema, fortalecendo programas conduzidos pelo governo e experimentando um aumento considerável de iniciativas do setor empresarial”, diz.
Entre os desafios, ele cita a necessidade de ampliar instrumentos financeiros e integrar ciência, assistência técnica e governança. O documento “Diálogo Entre Solos: Semeando Conexões 2025”, apresentado na COP30, reúne recomendações para acelerar a transição, incluindo crédito facilitado, pagamentos por serviços ambientais e mecanismos de financiamento climático.
Hugo Ricardo ressalta que a mudança depende de articulação entre diferentes setores. “A responsabilidade da transição é compartilhada, e conta com a colaboração de todos os elos da cadeia para que ocorra em escala”, afirma. Ele também destaca a importância de monitoramento e rastreabilidade para garantir transparência e mensuração de impactos.
Ao final, o autor defende o reconhecimento do solo como elemento estratégico para o país. “O solo deve ser reconhecido como um ativo estratégico para o Brasil”, conclui, ao afirmar que a transição para sistemas regenerativos pode gerar retorno ambiental, social e econômico.